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Palavras

Sentenças e ordens: encontro entre universos, verbo, ação: persuasão! Regurgitando, orando, tirando onda, mergulhando nas camadas sinestésicas,  levando à vida, com vida: desespero! Medo, corrupção, traição, registro químico, fatos conectados, Contradição! Mais um dia, menos um dia, empurrando com a barriga, até o próximo ato!

Ode ao Inútil

O inútil terá sempre uma desculpa, Inutilidade serena, pacata... Daquelas que se acha na lata: Lata do lixo! Se lhe falta ácido fosfórico, Ou se és hipercalórico, Diabético ou hipocondríaco, Cancro, hanseníase ou verminose... Alimentando-se de pestilentas feridas, Sumindo da noite para o dia, Criando receitas e críticas na lata: Lata do lixo!

Destino

Pouco importa a miserável vida que lhe deram, Pouco importa a opressão carcomida e caprichosa! Tão pouco lamúrias e angústias, Tão pouco a covardia, o medo ou inanição! Julgar-te-ei pelo o que fazes, Pelo que deixou de fazer, Pelo que escolheu não fazer... Esse é o destino:  Ter a liberdade para tomar as rédeas  da sua medíocre vida!

Arrotos de certezas

Lá vai o arrogante, Arrotando palavras, Encarecendo refrigerantes: Lá se vai o arrogante! Passos, poucos, ouvidos moucos, Estampido e rebeldia incrédula: Lá se vai o arrogante. E mesmo sendo o tolerante, Se bancasse o beligerante, Oferecesse- lhe batatas, Diria tu: Lá se vai o arrogante!

Hecatombe

 Incognoscível sentimento mordaz, que drena-te, que almeja-lhe! Peremptoriamente, moribundo,  soluções e desejos. Na hecatombe contumaz,  que drena-te, que almeja-lhe! Nos poros do tecido tegumentar, que alimenta o coito do nunca dito. Perambulo pelo vale turvo, caminho com às mãos entre muros, a cada respiro, a cada suspiro... No dia-a-dia que não seja dito, na escuridão da incerteza, toque-me o caos imundo.

Lamúrias de um condenado

 Vivo silenciosamente com receio, do arrebatamento da última fibra de seu corpo. Agoniado, soterro estes conceitos, como aquele que finge amor e dor. O desanimo atinge meu peito,  nas manhãs que saboreio: a perda, mesmo que ela não rejuvenesça, receio, com dor, a sua partida. Ao seu lado, silenciosamente,  como um condenado respiro aliviado, mas incapaz, que sou, paralisado, de agradecer, ó Senhor, de estar ao seu lado. E mesmo na escuridão,  com parcos recursos, na imundice da minha'lma: Minha fortaleza! E no dia, quem sabe, a morte finalmente recaía, e a solidão incomensurável me condene, que te encontre nos meus sonhos: para sempre!

Cântico dos descoraçados

 Solapados, alagados, humilhados; Erguei-vos, erguei-vos! Aos que empurram a vida com a barriga,  de bruços, de chinelos, aos canalhas! Artigos importados,  carros, dinheiro, ostentação, Escravos, são! Escravos são! Amargurados, encurralados, descoraçoados, mergulhados em éter, cateteres e televisão: Erguei-vos, erguei-vos! Felicidade instantânea, ânsia, torpor, Hecatombe proletária, paralisia aglomerada, Fome, miséria, corrupção: Erguei-vos, erguei-vos!

Pedido de fé

 Todas as lágrimas que não escorreram pelo meu rosto, e se pudesse adentrar na mais alta sublimação? e se pudesse afastar todo o sofrimento? e se pudesse pegá-la pelas as mãos  e se mostrasse o teu caminho? Não há muito além de palavras,  atos e pedidos de concentração. Estamos isolados em lugar qualquer do mundo, mas ainda penso em todos vocês... Toda noite, você estará em algum lugar em meio aos pedidos de atenção e solidão. E se pudesse viveria em seu lugar, para poder te ver sorrindo, em um dia ensolarado,  um feriado, ou domingo! Por hoje, tenha fé de que a tempestade passará!

Déspota

 Existe algo que nos antecede, o projeto do absoluto, aprendendo a amar. Necessidade de purificação, egoísta naturalmente, deixe-me gravitar fora do Eu. Tudo que parece se opor,  no fim: a personalidade, fluxo e refluxo... Liberdade de quem compreende a realidade, Deixando essa rédea fictícia, o Eu separado! Personalidade, mortal, inócua. - Cocheiro, uma corrida passageira? Compartilhamos a seiva da mesma árvore!

Cântico da busca

Nosso amor ultrapassa esse planinho físico cobra-coral envolta na areia  cabra da peste, senhor ou sultão o ponto de paz, equilíbrio e modificação. Nosso amor ultrapassa o remanso da barra pingente escarlate térmico e consorte  senhor do engenho determine o propósito caminhar-lhe-ei além deste vasto sertão. É preciso pensar, sem recompensas. ação proposital, viciada, pavloviana. no balanço da rede, no sol de inverno fluindo, intuindo, sem busca ou razão. Com a fé de uma criancinha,  aperte o passo, estenda as mãos, caminhando chorando feliz ou não fluindo intuindo, sem busca ou razão.

Poesias

Ás vezes, vomito elas. Em outras, cavo profundamente seu covil semântico! Ficam coladas no vítrice: o espaço entre minha retina e a massa cinzenta... E caminham comigo, comem comigo, dormem comigo... Choram, gritam agridem... Se arrependem! E como se arrependem... Outro dia, tropecei em uma, quase dei de cara no chão. É... se conectam como assombrações.

Broto

Não há somente o que você queira ver, Não há somente o que você queira ser... Tento falar-te; Tento mostrar-te; Não consigo mais brotar! Há tudo isso, tudo aquilo e tudo o que confessa. Há a existência que é sublime quanto a grafia do sopro que lhe enche o peito e dilacera tuas paixões. Há! Somente, há... Hei-de ser, hei-de existir! Atemoriza-se, atemoriza-se... abstêm-te: esquece a ti mesmo!

José

Como a vida é complexa, José! José, quando perceber... que o que sente,  ele sentes... José, o que te faz sofrer,  faz ele sofrer...  José, o que aponta e caçoa, são reflexos dos próprios defeitos refletidos nas cristalinas água do outro ser... Como a vida é complexa, José! José, quando perceber... que o que quer,  ele queres... José, o que te faz feliz,  faz ele feliz...  Essa dualidade faz com que contemplamos a nossa própria essência.  Deixamos de lado, então,  o complexo da última bolacha do pacote.  Sim, José! Você não é o centro de todo Universo, E talvez, seja este, o grande objetivo de sua vida. Amor é o tecido que amalgamará todo seu desprendimento,  irradiando para todos,  a mais pura essência, José!

Pobreza

Não são os grilhões do consumismo que tornam-lhe pobre, não são os desejos da vez; não são os objetivos egoístas; não são... Se de joelhos, pudesse ver, se de joelhos, pudesse perceber, se de joelhos, pudesse admirar, se de joelhos, veria a: pobreza de espírito, pobreza cultural, pobreza de preconceito, pobreza de brio... pobreza.. Ao emancipar-se financeiramente, nunca te esqueça de nutrir estes outros aspectos, pois eles lhe perseguirão, e farão de sua vida um ciclo infinito de vazio existencial...

Ataraxia

Vivemos em busca da sombra distorcida do paraíso.  Como ratos que passam a noite, buscamos alimentos e a procriação... A noite é passageira,  e vamos ocupar-se dela, a próxima noite... A noite!  É passageira! E essa percepção pode enevoar, a existir um caminho de volta,  ou a comunhão como nosso eu,  com nosso universo interno,  que comunga da fonte. Tais percepções do mundo sensível, ocupam muito tempo deste nosso caminho. E sair deste ciclo é o desafio, Primeiro ver-se como rato,  depois ver as armadilhas, que ocupam nossos minutos...

Tão Humano!

Numa fria manhã, que fria... toca-me a face os raios aconchegantes do Sol reflito o quão humano pode vir a ser, o homem que dedica-se ao outrem. Não há, sabe-se, medida de tempo, Há percepção do tempo. E quem, na flor de sua humanidade,  investe tais medidas ao outrem, respira amor, contraria a opressão. Sem dúvidas as mães, incondicionalmente... Médicos e enfermeiras que podem cumprir o protocolo, mas devem, por vocação, cuidar... Talvez as forças de segurança? Os pescadores? Os agricultores? E os professores? Dedicam-se todos aos outros...  Nos dois primeiros, podem ignorar o fim, mas ao mestre não, não há mestre sem empatia, não há... E por mais dura a seja a casca que cria, para proteger-se de teus irmãos, É na sua dedicação ao outro, que será, de fato, revolucionariamente: humano!

Quase

Quase não consigo entender, Quase tudo foi em vão... Quase a incerteza paralisa-me, quase... Escutando a voz que guia-me, Atravessando, a solavancos, o íngreme terreno, Cá estou eu, junto a ti, e ao silêncio... O que será? Não sei... "A incerteza do poeta" de Giorgio de Chirico

Quarentena

-Já não me recordo como era, dizia Amnésia de hábitos, jeitos, convívios... Quarentena que cobrou as duras penas dos pecadores que aguardam ansiosos pelo juízo final! Pelo Coronavírus, fortaleceu o elo com o smartphone,  Enclausurou-se entre futilidades, fugindo do Covid Propagando fake news e falsos afagos, aceitou convite por convite... Tudo como era antes? E se perguntavam: -Quanto tempo ainda resta? Enquanto quarava as roupas nos virtuais varais... Teclando socrocios, quarando os minutos, Que não voltam mais! Fonte:  https://sergioamorim.com.br/page/2/

Crioulês

Não há em Portugal, nem em toda lágrima que virou sal, de maneira galega ou ligeira,  um português crioulo como o do Brasil! Não há os gritos de Cunhambebe em Ipanema, Não há a milícia de João Ramalho, peró! Não há gamba zumba, nem a polenta, muita polenta! Não há português, de Portugal! O que anda por aqui, pelos becos, pelas ruas, é filho seu, porém, rebelde! Ele anda por Maputo, Luanda, Díli, Macau, mil lugares... A espreita nos guetos, dos insurretos, dos iletrados, dos que derrubaram a realeza na cidade do Porto! Vive, mas não órfão.  Das mãos surradas de suas várias mães, Das lágrimas escravas e desesperadas... Vive e evolui, arrebenta a fibra dos lusitanos, que vulgarmente gestaram seu modo de latim! Talvez seja isso! Filho destronou o pai, E foi ser gauche na vida! Uma Senhora de Algumas Posses em sua Casa [Une Dame d´une Fortune Ordinaire dans son Intérieur au Milieu de ses Habitudes Journalières] , 1823 ,  Jean-Baptiste Debret Reprodução fotográfica Pedro Oswaldo Cruz

Desculpa!

De todas as palavras tortas que vos digo, não leve a sério, não cristalize: como dogmas, encrustadas na epiderme d'alma. Do xingo, da ira, da lavação de roupa suja... Não leve a sério, não leve... Moribundeadamente, repito os tragos, os goles... das chincalhas que carrego em meu software, atualizado com os vícios da vez. Não me verás sentado num boteco,  mas gritarei como um bêbado irracional. Não me verás tragando o tabaco,  mas escarrarei como um fumante. Lindo,  És o cordão de prata, prende-me aos defeitos de minha versão anterior. Sou um windows 10, rodando em um 456!

Xênia

Evoco esta lírica que emergiu dos mares galegos, Dos celtas, romanos, árabes: a fusão providencial  Do sangue e da peleja que se assemelha a fúria de Poseidon em chão de Gibraltar... Se nas gens dos celtiberos, Títio Lívio, em suas notas lembrou entre os rios Ebro e Tinto Huelva, local de abundancia, cartaginenses asseverou. Ó Senhor, somos, então, celtas? Ó Senhor, somos o que somos, tu que determinou! A bravura de Hanão, como podes, não evitou: as lâminas de Cipião Calvo, no bucólico cenário,  lusitanos e a Indíbil subjugou mesmo com suplícios de Asdrúbal,  Viriato e Himilcão condenou! Ó Senhor, somos, então, romanos? Ó Senhor, somos o que somos, tu que determinou! Em Emérita Augusta, assistiu a queda de César e magna Roma, no apogeu e num futuro que a pax, o visigodo ignorou nas mãos de Rodrigo e Aquilla a lusitânia, por décadas, governou. Ó Senhor, somos, então, visigodos? Ó Senhor, somos o que somos, tu que determinou! Sob a ira de Tárique, ex-cativo de Magrebe, o califado muçulma

Cynar

Quando desço, padeço, pereço! Quando leio, esqueço o começo, sem Cynar... Quando desço, sento: emudeço! Tramposeio o beiral da insensatez dos que buscam a razão, sem ração! Sem bordeio, sem segredo, sem rodeio: pereço! Nas rimas imundas apregoadas na cortina do córtex, na amalgama mistura de sinapses cerebrais, transcendo-me na penumbra orbicular do absurdo...  Women Drinking Beer, 1878  é um desenho de Edouard Manet que foi carregado em 8 de junho de 2014.

Brasília

A vida pulsa, No congresso ou em seus palácios, Na estação, o cordel encantado, emaranhado de rostos, brasileirice de etnias! Do perfume da culinária raiz, do artesanato de resistência, das gemas reluzente e do sangue de vossa gente! De suas avenidas longas, sem calçadas, De seu concreto imponente, sem gente, De seus jardins suspensos, sem grito! Status quo de nossa vergonha, escondidos famintos, miseráveis, desgraçados, resilientes residentes! -Que o governo dê um jeito! Dorme, este, em mais um domingo, em berço esplendido. Enfeitiçado por seu próprio retrato, na fina lamina de seus lagos, esculpidos em carrara, Brasília! por Rodrigo Nardotto

Fake News

Se antes a disputa era por atos, pela retórica inabalável, pela teoria inquebrantável... Hoje é pelo monopólio de posts, por fakes, pelo discurso fictício... Pouco importa a veracidade, e sim a viralidade! Se antes a disputa era por visões de mundo, hoje é pela mentira dita e viralizada. Das epopeias ou fatos deploráveis... Rumo ao progresso...

Breu

Plastificadas valsas, retórica marota, sentenças cotidiana! Passeio vulgar, memórias ao vento, insaciável método! Vós terdes-vos esquecido Esquecêramo-nos! Eudemonísticos versos que vós tenhais lembrado do breu de colofônia Ácida fuga das rugas que brotam entre os olhos teus! Breu (Baleia Cover) | Vitor Brauer

Cântico vulgar

Bem mais alto que todas minhas expectativas, nu estaria em busca de um sentido! No alto daquela torre, nos caminhos rente ao mar. Nos dias de lamentações, no escuro de um quarto vulgar, nu estaria em busca de um sentido. As primeiras notas, sensações taciturnas. notas carveólicas, frívolas  e irritantes daquele que nunca foi ou será!

Quarta-feira

Há dias que o mal do mundo acerta-me em cheio, da anca sem esperança, do moribundo ateu, dos dias que nem no alto dos Pirineus, pude contemplar, com inveja, o sucesso alheio... E assim empurro os segundos que hão de vir, e assim desejo os pensamentos que se arrastam em arestas, como um sandeu, vejo com claridade que viverei, em paralelo mundo, onde os versos marinam minhas ilusões. E a chuva cai, ela sempre cai, em dias cinzas, nicotinados, por esta falta de esperança... E assim, quando vejo teu sorriso, atrevo-me a reforçar o status quo, que perdi desde que a fibra de meu peito rompeu o vácuo da existência terrena! Oras, hão de chegar os motivos, arrastando os passos pelo passeio português, abarrotado de lixo, imundo da vivência dos que, como eu, vivem sem a esperança. E seja assim, como justifica-se, vivendo o dia como se fosse o último, a melhor das justificativas dos derrotados... O âmago vazio, um trago, um pensamento, consumindo os segundos, em tare

Cartagena

Embebedado estaria em Bogotá, do néctar que cintilantemente escorria da nau de sua cova facial. Os remos do nunca-sei, de milésimos de afrescos e tangerinas, respirando os átomos que te enebriam. Iremos juntos a Cartagena, girassóis e formóis, besuntado em cristais do Caribe. Embebe-me com teu suor, embebe-me com a certeza de que, de fato, nunca estaremos lá!

Morra!

Disse-me, rogando pela minha morte. Rompante risonho que estrilava as superfícies translúcidas, enquanto jogava o peso corpulento na cadeira estática. Subiu aquelas escadas como se fosse a última vez, acenou e desejou, novamente, um fim moribundo. Luto para não esquecer teu semblante... O capitão-mor da nau da fanfarronice, eras tu. Ensinou-me a valorizar cada milésimo de segundo, deixou-me forte, tenro e friamente insensível. Subiu aquelas escadas e nunca mais voltou, seja para esbravejar, seja para bradar, Aquelas velhas palavras de ordem. Morra! *Homenagem póstuma a Luiz Carlos Martins Foto: Acervo Diário do Rio Claro

Cântico ao desesperançoso

Por teimosia, somente por ela, visito o enterro de minhas quimeras Últimas evidências químicas natimortas e silenciosamente sombrias Molécula por molécula,  benzeno por benzeno rogo pela lucidez Subjugado, estalado indubitável de quando aos prantos ela me deixou... Centelha cortejada com as licorosas esperanças ajoelhei-me, desejando, sobremaneira, as cintilantes notas de minha respiração. E lá estava você, intacta, ignorando solenemente o estrago que fez Afinal a causa é sentida somente por quem com ferro em brasa ferido foi... Ao visitar tais lembranças embaraço-me, padeço-me neste cortejo sem fim, Semblante sonâmbulo daquele que jaz E apodrecerá aos pés de quem já se foi...

Salve, Salve, minha gente tão querida

Salve, salve, minha gente querida! Com a vista turva desse lado do Atlântico vos escrevo, de um povo heroico e retumbante que de seus heróis esquecera... Feitiço de Ganga Zumba ou renascimento do néscio-sandeu! Salve, salve, minha gente querida! De Cunhambebe, Sepé Tiaraju, Ajuricaba, E dos rincões de Nheçu se perdeu! A farsa histórica que mudos ignoram, no vice-reino do Peru nem se lembram de Tupac Amaru! Salve, salve, minha gente querida! Da negritude, nem os irmãos Rebouças, Patrocínio e Luís Gama. Da feminilidade: Ana Néri, Bárbara de Alencar, Clara Camarão, Luísa Mahin, Maria Quitéria, Isabel, a redentora, por fim. Salve, salve, minha gente querida! No reprisar dos mesmos cantos, de um povo em agonia sem fim, Em busca por falsos heróis: sem caráter, sem feitos, enfim... Na terra do futuro, clamo dias e noites, que resgatem a memória assim, Almejando um digno futuro por fim, Salve, salve, minha gente querida!

Caminheiro

Sentimento taciturno, absurdamente cítrico, algazarra midiática, contumaz e perniciosa! Caminhando pelos vales de gramíneas, angiospérmicas relvas verdejantes. dísticas e alongadas esperanças. Se tu não foi, não irá; se irá, não voltarás, pelo riacho de novidades nas águas reusadas e inéditas. Caminhando pelo vales da sombras; Caminhando pelos vales dos lírios; Caminhando sobre espécies invasoras; caminhando inodoramente!

Insatisfação desejante

Amor é desejo, eros. Desejo é a falta. A inclinação do homem para o que ele não tem. Amar é desejar, desejar é não ter! Equação macabra! Ou desejas o que não tem Ou quando tens o que deseja, não o desejas mais. Amor pelo trabalho, no desemprego. Amor pelo dinheiro, na pobreza. Amor pela paz, na guerra! Todos desejantes, inferência imediata. Guiados pela insatisfação, desejante! Matéria-prima da politica, gestão do desejo. Busca da redução interrupta da ausência Se fosse a gestão da satisfação, cogitaríamos solução de convivência boa, de uma vez por todas. Não buscaríamos, mais nada. Conservação do status quo de satisfação. Uma utopia, ilusão! Todo desejo satisfeito é extinto. Ocupado por um novo, desejo!

Exortação

Aos bons homens, inspirados por Almeida Garret a Andrada e Silva José do Patrocínio e Princesa Isabel Aos homens de Ítaca assistem, sem escrúpulos, homens que enriquecem em detrimento a cousa pública sindicatos, lojas, órfãos da moral Que misturam retidão a amantes direito social a apadrinhamento de confrades Doutores enfadonhos milionários a margem da lei, da moralidade, da ética dos interesses mesquinhos, partidários, eleitorescos e sindicais. De estágios com paternidade, de comissionados, sem capacidade. de diretores, sem dignidade. supersalários a abastados... A Gregório de Matos, concordo, o que falta é vergonha! Aos opositores, moral. Aos paladinos das regras, capacidade. As amantes que contenham os falastrões. Abaixo-assinados manchados pela desonra A massa-manobra, o fardo gado, gadu, grosserias!

Três vezes

Tábua da esmeralda cintilar epopeia, Caldeu No pântano imundo dos que perecem em ti, ó Thoth Três vezes grande, três vezes! Na antro, no canto, no santo! Comigo, contigo e com todos nós! Três vezes grande, três vezes. No livro dos mortos, Interoperar contínuo entre todos os fractais cintilante experiência, vivência! Três vezes grande, três vezes!

Prasãda

Consciência d'alma, tu és o que és como grandes amigos Imagens sacras e seculares no divã não sou minha mente, não sou meu pensamento. Prasãda de quimeras indomáveis Passagem para um mundo indubitável Estarei junto a ti aqui e ali Como posso junto a ti, em ti? Como posso junto a si, em si? Como posso junto a vos, em vos?

Eu

És teu templo, tua morada, tua luz És teu Deus, teu atma, teu discípulo. Teu caminho, tua verdade, tua luz. Vitrice sombrio kármico, quântico atma para a graça, receptiva personalidade em malkuth Veículo uníssono desta epopeia auto-reflexão e conhecimento rezas, orações e mantras hindus És tudo-nada És tudo-graça És tudo-darmico Teu caminho, verdade e luz!

Caminho

Não há literatura sagrada, Não há modelo perfeito, Não há, não há, não há. Não sabes a perfeição, temporariamente; causal caminho para alma. Não há, não há, não há. Você é o caminho o único caminho cansado, sonâmbulo, sobrinho.

Tudo que é eterno

Tudo que não é eterno é ilusão Realidade é aquilo que não muda Tudo que é eterno Personalidade acaba Tudo que você aprendeu armazenado na alma O resto é ilusão, maya Alma que cresce, evolui a personalidade evolui Tudo que não é eterno é ilusão Realidade é aquilo que não muda Tudo que é eterno.

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Retambana de pesares

A direita, corrupção A esquerda, socrócios Ao centro, negócios Retambana de pesares No bairro, sequestro Na fila, tambores Na Câmara, favores Retambana de pesares Conservadores, paspalhos, Progressistas, otários Bonafacistas, cansados Retambana de pesares Comunismo, continuísmo Capitalismo, senhores Anarquismo, sem cores Retambana de pesares. Se há negócios, socrócios, corrupção, Pedidos, favores, cabrestos e senhores Se na taba, não há mais nada. Retambana de pesares

Bar do Bitoco (texto para stand up)

Sair com os amigos do trampo é uma aventura. Todo mundo quebrado e um rodízio de estabelecimentos bizarros. Estes dias fomos no Bar o Bitoco e juro, tinha um torresmo que parecia a unha do Zé do Caixão. Aquele negócio envergado e uns pelos crocantes por cima. E para quem gosta mesmo... Tipo a religião do Torresmo. No boteco do Salsicha, o Hyago queria almoçar um ovo de codorna em conserva. Juro, a água estava verde. Mas de acordo com ele, vinagre não estraga, vira vinho. Quando mais verde, mais puro. O cara comeu pelos menos uns três. Aí, tem nego que não sabe porque ele vive no banheiro durante o expediente. O pior foi lá na lanchonete Hot, "onde os canais adultos não tem senha", salsicha frita a vontade. Lá na quebrada não tem  slogan, lá é slogo memo. Levemos o guardinha, o moleque é da quebrada, come como um servente de pedreiro. No fim é aquela correria, mas ninguém passa fome. por isso sempre é bom legar um di menor.

Revolta do Feijão

Nem a burocratização do departamento impediu a discussão sobre o desejo incontrolável de Antonio em relação ao feijão, o qual chamava de diamante marrom. Em pequenos espaços de diálogo entre ele e a equipe, o assunto emergiu como uma ato religioso em que defendia que sua vontade era, tão somente, de estar nu e rolando sobre as reluzentes sementes num dia de sol. Queria, na verdade, é estar junto de bom punhado de feijão cozido, embebedado com seu caldo espesso e saboroso num dia de sol para que pudesse ver os raios solares endurecerem sobre minha pele a sua parte líquida e a formação de uma camada desidratada tentando sequestrar o entorno de meu corpo… Dia após dia, o assunto do feijão pairava sobre as almas calejadas e cansadas dos trabalhadores do departamento. Ele era o chefe da seção fazia poucos meses. Como um vendaval, virou a rotina burocrática, pálida e escravizante de seus subalternos de cabeça para baixo. Era assim que ele via: maximizando a burocracia estatal para conter

Canção do Exílio a Dom Bertrand

Minha terra tem florestas, Onde canta o maraca Os corvos que aqui cacarejam Nem sequer sabem como é lá... Nosso chão tem mais afouteza, Nossas matas mais fomento Nosso bosques tem mais vida Choram os chamadores, voi a la! Em cismar, sozinho, à noite Entreguistas, eu encontro-lá Na minha terra tem florestas, mais que o dobro, do que cá! Em cismar, os entreguistas, em Açores. Mais passarinhos, eu encontro lá; Minha terra tem florestas, Onde cantas, sem charabiá! Não permita Deus os cabeçorras, Incendeiem mentes ocas por lá, Sem que desfrutem da verdade Que não encontro por cá; Sem qu'inda aviste as florestas, Onde um dia andou Tibiriçá (Homenagem a Gonçalves Dias)

Ápeiron disponível na Amazon

Já está disponível para venda o e-book e livro físico Ápeiron: Poesias Nonsense, do poeta Antonio Archangelo. Através no Kindle e da Amazon , disponibilizamos as duas versões para os Estados Unidos e países europeus, confira: Segue os links para aquisição: Estados Unidos E-book Capa Comum Alemanha E-book Reino Unido E-book França E-book Espanha E-book Itália E-book Brasil E-book Capa Comum

Último respiro

Antes que minhas vistas escureçam, talvez; Antes que a última lembrança seja condensada pela valsa-química cerebral, talvez; Antes de sentirem minha falta, talvez; Esteja lúcido para lhe dizer o quão bem vivi. Antes, talvez, que seja tarde; escrevo a vós filhos do amoníaco e alcaloides, que vivi o quão são que pude, vê-los, cada olhar, cada universo de segredos. Antes, que a última nota arrebente minha lucidez, que a amargura aflija minhas notas alveólicas que minha carne seja sepultada nesta terra vérmica. Sinapses mórbidas e doloridas, por saber que nunca muda, nada muda e não mudarás no pretérito perfeito de suas vulgaridades de vossa essência, meu único amigo, eu.

Escatologia da Primavera

Estava-lá pálida, estática, boquiaberta Muda, só resmungou quando ameacei ir embora intimamente ligada ao meu "Eu" e calada Aguardou, até o último suspiro, as mágoas de quem nunca conheceu, de fato Ingratidão, és sua simbólica figura Insurreta, a espreita, fadada ao destino Incrédula, nunca pensou ou teve fé Afinal, nessas condições quem teria? Dia após dia, minutos após minutos sacramento após sacramento Fria, deixou a vida me  escoar Nutrindo o carbono condensado, fomentando novas vidas terráqueas tecendo, sem receio, o minério que esconde a gematria sagrada.