Escultura de Gratidão

Talvez me falte a palavra justa e rara

que exprima a chama em meu cansado peito;

talvez a voz, na emoção que me ampara,

não saiba dar ao sonho o exato efeito.


Mas sei que foi sublime a claridade

de perceber teu ser neste universo;

como um anjo exilado da eternidade

que à minha pele trouxe um sopro terso.


Não tenho os bálsamos que curam dores,

nem possuo riquezas ou venturas;

trago apenas, sincero entre amores,

minhas palavras simples e tão puras.


Guarda, porém, se o tempo consentir,

na alva memória onde o afeto mora,

esta lembrança que quis esculpir

como um sinal que o tempo não devora.


Quem sabe um dia, em tua pele clara,

este encontro se torne cicatriz

suave, como a marca que declara

que a vida às vezes sabe ser feliz.


E se dissipe a névoa das quimeras,

quando te olhares no cristal do espelho:

verás brilhar — nas luzes verdadeiras —

o mesmo olhar que vi, sereno e belo.


E neste mundo, leve bailarina,

girando ao som de uma valsa serena,

teu riso há de fluir como divina

calma que embala a alma em paz amena.