Sobre o autor

Antonio Archangelo escreve para implodir a linguagem.

Desde 1998, sua obra não se orienta pela comunicação, mas pela fratura. A palavra, em seus textos, não representa — colide. O sentido não se estabiliza — prolifera, falha, se multiplica e se dissolve. É nesse campo instável que se estrutura aquilo que o autor denomina poesia semântica fonomórfica antropofágica: uma prática em que som, forma e significado deixam de obedecer hierarquias e passam a operar como forças em conflito.

Não há, aqui, compromisso com a inteligibilidade confortável.
Há método na ruptura.
Há rigor no desvio.

Sua produção, iniciada com o poema Monólogo, constitui um corpo contínuo de escrita que atravessa décadas sem ceder à domesticação editorial, acadêmica ou mercadológica. Mais de duzentos poemas e múltiplas obras depois, o projeto permanece no mesmo ponto de origem: a recusa.

Influenciado por Michel Foucault, Gilles Deleuze e Félix Guattari, Archangelo desloca a poesia para um território onde linguagem e poder se entrelaçam. Seus textos não descrevem estruturas — tensionam-nas. Não denunciam apenas — contaminam.

A Quadrilogia dos Sentidos da VidaÁpeiron, Homeomerias, Nheengatu e Ataraxia — não é um conjunto de livros: é um sistema de ataque. Cada volume investiga uma camada da experiência humana (linguagem, religião, cultura, existência) não para organizá-la, mas para expor sua instabilidade constitutiva.

Sua escrita opera também como gesto de antropofagia decolonial. As tradições europeias são devoradas, metabolizadas e devolvidas sob a forma de ruído, deslocamento e mestiçagem radical. Não há pureza formal. Não há centro. Há fricção.

No ambiente digital, sua obra circula desde 2008, acumulando dezenas de milhares de leituras. Não como produto viral — mas como persistência. Como insistência.

Educador, jornalista e músico, Archangelo não separa prática estética de prática crítica.
Escrever, aqui, não é expressar.
É intervir.

Se há um leitor, ele não é conduzido.
É confrontado.

Se há sentido, ele não é dado.
É disputado.

E se há poesia, ela não consola.
Ela opera — como falha, como excesso, como insurreição.


Antonio Archangelo escreve contra a linguagem enquanto sistema de controle.

Criador da poesia semântica fonomórfica antropofágica, desenvolve desde 1998 uma obra que recusa sentido fixo, estabilidade formal e leitura passiva. Seus poemas não comunicam — desorganizam.

Autor da Quadrilogia dos Sentidos da Vida, constrói uma obra que não evolui — intensifica.

Não busca leitores.
Testa-os.