Por breve instante o tempo em si parou,
Suspenso à luz tranquila do teu olhar;
Quis ver que chama em tua alma foi morar,
Que doce encanto em teu gesto pousou.
Quem és, donzela, em graça e rebeldia?
Mistério vivo em forma tão serena;
Tua voz inda em memória me ressoa
Qual canto antigo que o tempo não esfria.
Pudera eu mil versos escrever
Para dizer quanto quisera ter
O dom de ao passado regressar.
Mas eis o agora, leve e misterioso:
Onde estarei, num dia silencioso,
Se um dia vieres de mim olvidar.