Não meçam meu silêncio por derrota,
Nem confundam minha paz com fraqueza;
Há convulsões sob aparente firmeza
E um nervo exposto que ninguém denota.
Sou febre. Esta paixão que me constrange
Percorre a carne, a vértebra, a medula;
A razão sutura. O afeto fistula.
E a cicatriz ainda pulsa e sangra.
Meu phármakon circula pela veia:
Na mesma dose, cura e intoxica,
Anestesia a dor que me incendeia.
Não sou resignação. Sou cicatriz.
Minha ataraxia é a lâmina que explica:
Disseco em mim a causa do que fiz.