Lilith

Ó Lilith, sombra lúbrica e nefanda,
De Samael consorte, ímpia visão,
Teu vulto pelas trevas se desmanda,
E escraviza-me a tíbia razão.

Em Babilônia, à sombra dos altares,
Teus longos fios vi, de negro véu;
Levaste-me aos abismos tutelares,
Roubando-me as delícias lá do céu.

Sorve meu sangue, ó déspota divina,
Faz de meu dorso o teu corcel servil;
Teu beijo a minha perdição destina.

Sufoca-me em teu êxtase febril;
Profere o Nome, ó pérfida rainha,
E em teu prazer renasça a alma minha.