De gole em gole,
segundo por segundo,
ainda a desejo.
Mas não como outrora,
quando, afoito,
tentava impedir o inevitável.
Se o destino me conceder
a graça de habitar seus dias,
quero trazer comigo a paciência
e a maturidade de quem aprendeu
que o amor não se apressa,
nem se colhe antes da estação.
Quero sorver-lhe o aroma,
como o apicultor que recolhe
o mel límpido e puro
das colmeias adormecidas
à sombra dos laranjais.
Quero tocar-lhe a boca,
percorrer-lhe os cabelos,
entrelaçar nossas mãos,
sem a urgência do amanhã,
sem exigir do instante
a promessa da eternidade.
Quero fazer-me morada,
não cárcere;
abrigo,
não corrente.
Ser a paz que não aprisiona,
o afeto que não reclama,
a presença que não exige
mais do que lhe é permitido.
E, se um dia
nossos caminhos novamente
se reconhecerem,
que tenhamos a sabedoria
de não antecipar o futuro,
mas de, juntos,
esperançar.
