O que é a vida
senão uma sequência
de encontros inesperados,
dessas esquinas do acaso
onde, de repente,
alguém nos acontece?
E o que seria da lágrima
sem um novo raio de sol
atravessando a janela
e pronunciando, baixinho,
a chegada de outro dia?
A escuridão, meu caro,
passará.
Porque tudo passa:
a noite,
a ausência,
a dor que parecia eterna
e até aquilo que juramos
não poder esquecer.
Resta-nos estar prontos.
Prontos para outra manhã,
outro espanto,
outra aventura qualquer
que a vida, distraída,
deposite em nosso caminho.
E se viver é não saber
quem virá depois da curva,
que venha o inesperado.
Que venha o sol.
Que venha o amor, se vier.
Que venha a vida.
E que nos encontre vivos,
inteiros,
dispostos a vivê-la
até o último segundo.