Doze dias

Esta pode ser a última rima
que cravo em minha alma
para não esquecer o seu olhar.

Esta pode ser a última palavra
que tatuo na pele ainda virgem
para não esquecer o seu sorriso.

Fiquei meio segundo
vendo seus olhos piscarem,
procurando, em algum lugar,
um ponto de conforto.

Senti o calor da sua pele
aquecer minhas preocupações.

E agora estou aqui,
querendo você
mais uma vez.

O engraçado
é que nem disso tenho certeza.

Não sei como foi o seu dia.
Não sei o que pensou antes do almoço.
Não sei se o meu nome atravessou
a sua mente antes de dormir.

Nem sei a que horas você dormiu.

Eu?

Ah, eu...

Lutei contra o que sentia,
segundo após segundo,
durante as últimas quarenta e oito horas,

esperando encontrar o seu sorriso
vindo ao meu encontro
em forma de abraço.

E você me diz
que homem inseguro
é um porre.

Então estou aqui,
tentando fazer de mim fortaleza,

mas como erguer muralhas
se meu alicerce
repousa sobre as suas mãos?

Não sei o dia de amanhã.

Afinal,
hoje completam doze dias.

Doze dias —
e já sinto falta
de ouvir você me dizer:

“Loucura por loucura”,

como quem dizia quase nada,
em um dia qualquer,

sem saber
que eu guardaria aquele instante
como quem guarda
aquilo que teme perder.