Não quero súplicas, nem obrigação,
Nem que me venhas por dever ou pena;
Se a culpa, em ti, alguma voz ordena,
Não dês esmolas ao meu coração.
Não me procures por reparação,
Nem porque a ausência te pareça obscena;
Prefiro a dor, por mais que seja plena,
Ao falso afeto dado por perdão.
Se vieres, vem porque assim quiseste,
Porque, entre as sombras, de mim te lembraste,
E alguma falta em teu silêncio leste.
Vem porque um dia, súbito, encontraste
Meu nome em ti — e então compreendeste:
Amor não é a dívida que pagaste.
