Olhos verdes vieram me visitar.
E onde, agora, irão repousar?
Eu, sinceramente, ando sem crenças,
sem utopias, sem esperanças;
cabisbaixo, dilacerado,
com o coração amargurado.
A musa do Pantanal
levou consigo parte de minha alma,
e agora erro pelos submundos,
sem aquele brilho que, em meu olhar,
por um instante, rejuvenesceu.
Que será de mim?
E esta ânsia
de morrer de amor?
Que será desta efemeridade,
desta perecível vida
que se consome enquanto a contemplamos?
Não sei.
Só sei que,
como uma colcha de retalhos,
a maligna perdição costura sobre a derme
os fragmentos do que fui:
um ponto de saudade,
outro de abandono,
uma cicatriz onde houve desejo,
outra onde ainda pulsa o impossível.
E assim me visto de mim mesmo,
remendado de ausências,
enquanto aqueles olhos verdes,
que vieram me visitar,
talvez iluminem agora
algum lugar onde já não estou.
