Com estes versos, embora imperfeitos,
declaro-te, por fim, meu grande amor;
desisto de seguir, de passos feitos,
o mesmo trilho, outrora em teu favor.
Com estes versos, pálidos e incertos,
confesso quanto esperei em vão;
nutria ainda, entre sonhos desertos,
o derradeiro engano da ilusão.
Cria que um sopro de serena luz
te reconduzisse à antiga clemência;
que perdoasses minhas palavras duras
e reconhecesses a sincera essência.
Hoje, qual velho viandante exausto,
parto, enfim, para a minha Pasárgada,
onde sepulto, em silêncio e sem alarde,
o mais formoso afeto desta jornada.
O luto cumpriu todo o seu ofício;
a resignação, severa e fria,
ceifou o fulgor destas retinas,
que erraram por excesso de ternura,
jamais por escassez de amor.
Eu parto.
Mas, ao contrário de ti, que permaneces,
voltarei à desordem das tavernas,
à embriaguez fugaz das horas vãs,
e, na alienação dos breves prazeres,
arrastarei mais doze meses.
Adeus.
