Vá, corra!
Evite.
Esconda-se.
Proteja-se.
Tenha a doce ilusão
de que permanece incólume.
Vá, corra!
Aponte o dedo
para aquele que mais te amou.
Assassine a esperança
que ousou tocar
teu amargurado coração.
Vá, corra!
Tranque-se.
Faça-se refém de si mesma
e deixe o amor passar...
Se soubesse o quão raro é,
talvez não corresse.
Talvez, daqui a dez anos,
ainda se lembre
de como servi a ti, meu amor,
tentando encher de esperança
esse teu peito sitiado.
Eu, bobo que sou,
acreditei que sairia ileso.
Ressuscitei meu lado doce,
desenterrei aquilo
que julgava morto em mim,
para descobrir,
mais uma vez,
que talvez eu tenha nascido
com amor demais
para este mundo.
