Ignóbil criatura,
de penas e doutos saberes,
prostra-te ante minha culpa,
diante do espelho dos afazeres.
O espelho jamais te mentiu:
mostrou-te o amor que nunca tiveste.
Ignóbil criatura,
digna de pena e desvelo,
prostra-te diante de ti,
sem desviar os olhos do espelho.
Compras joias.
Acumulas débitos.
Ofereces os dias.
Esmolas e afetos.
Tudo isso
pelo breve instante
de sentir, enfim,
o amor que nunca tiveste.
