Dizem-se livres os que nada querem,
os que transformam vínculos em grilhões;
erguem muralhas, negam corações
e dos afetos sempre se diferem.
Mas suas mãos, que as portas não conferem,
forjam sozinhas novas prisões;
e chamam de razão suas evasões,
enquanto os dias silenciosos ferem.
Liberdade é amar sem possuir,
é aceitar que o outro possa partir,
e ainda assim permanecer aberto.
Quem mata a sorte antes de nascer,
para jamais correr o risco de perder,
faz da própria cela o seu deserto.
E depois arrota liberdade.