Te sinto como as águas quietas
que beijam as pedras de um lago antigo;
e assim permaneço, por dias inteiros,
mesmo ausente de ti,
continuas a tocar-me.
E nesta valsa sem música
vou arrastando os minutos
desde o instante em que teu sorriso
desabrochou em mim
como o primeiro amanhecer do mundo.
Vejo, nestes olhos cansados,
que libertei aquele que fui —
e talvez ainda seja —
o homem que passou décadas
encerrado no alto de uma colina,
à espera do esquecimento.
Agora sinto estas pequenas ondas
percorrendo meu corpo,
afagando-me a alma
com a delicadeza das coisas eternas.
Meu bem, eis o presente:
não a paz, que nunca a tive,
mas esta estranha serenidade
de quem finalmente descobriu
que amar também é regressar a si mesmo.