Cinco Letras

Se eu pudesse — ai! — na areia incerta

Do fado cego e vão, traçar teu nome,

Cinco letras de lume e de deserto,

Mil vezes — mil! — o escreveria ao vento.


Se eu pudesse — escuta — ouvir-te a história

Repetida em mil ecos da memória,

Só para ver — ó doce claridade —

Teu olhar a nascer na eternidade…


Tu és — (direi?) — senhora do meu fado,

Mesmo que o tempo, em giro desolado,

Me arraste além das dunas da incerteza;

Leva-me embora — sim — que pouco importa:

No rubro templo, onde a vida é presa,

Teu nome vive — em sangue — e não se corta.


E eu, qual errante à beira do infinito,

Vi teus olhos — na noite fria — escritos

Como estrelas que, em silêncio, ordenam:

“Segue — perdido — que teus passos valem.”


Mas ai de mim — que sigo sem saber

Se é luz ou abismo o que hei de viver…