Adeus

Partirás desta existência miseranda
como imperatriz da ilusão transitória;
mas aos que vencem nesta estrumeira humana,
dou-lhes, irônico, as batatas da glória.

Seguirás teu destino — outras seguiram,
como espectros dissolvidos na memória...
E eu? Ficarei neste lodo metafísico,
roendo os ossos pútridos da história.

Não nasci para os gestos calculados,
nem para o açúcar vil dos clichês;
há em mim larvas de sonhos malogrados
e um coração gangrenado de porquês.

Hei de seguir... a vida continuará
com sua engrenagem cega e indiferente;
mas talvez sintas falta, nalguma hora,
deste idiota lúgubre e inconsequente

que queria apenas ouvir tua voz
como um moribundo deseja o ar derradeiro,
e escondia sob a carne e sob os ossos
o pavor infantil de acabar sozinho.