Willkamayu

 Movimenta-me

nos rincões do Sul Global

muda-me, altera-me

segue a cheia

transborda-me

e ordenha-me


Cruz

das cruzes

reflexo de Willkamayu

Vilcanota dos pecados

do fim-começo

do começo-fim


Ilumina-me a alma

congela-me a usura

leva-me toda a prata

pelo rio sagrado

serpenteando o pulmão do mundo


Eleva-me ao céu estrelado

em noite de outono

de quem nunca dorme


três vezes a gematria sagrada

tecida em fiapos coloridos

nos platôs andinos

nos gritos das crianças mudas

ancestralizadas na raiz

que tudo nutre