Senhor dos tempos,
que das minhas lágrimas
se alimenta, voraz,
deixa-me ao palato
o doce gosto da infância,
dos dias felizes
que não voltam mais.
Acaricia minha derme
com memórias de domingos,
feriados e festas
onde, por inocência,
ríamos sem hora
pra acabar.
Hoje, na selva de pedra,
longe dos meus,
sou só vulto
e fabrico minha dopamina
a fórceps —
e alguns cifrões —
para curar
dores musculares.
Mas, absorta em mim,
minha alma nutre
o buraco sem fim
que, em uma manhã faceira,
debaixo das mangueiras
e dos bananais,
voltarei — crepito —
a sorrir.