Regozijo-me, a cada segundo,
longe de vossa presença —
qual raio celeste que atinge
a superfície da minha derme.
Minha carrancuda face, hoje,
transborda, enfim, de alegria;
vejo as cores e as flores,
os campos, seus vãos aromas,
como se, só hoje, pudesse
enxergar a beleza
deste mundo cão.
Donde viestes, vossa senhoria?
Titília do cerrado,
Leopoldina dos pesares,
Clementina dos altares.
Hoje nasce um novo homem:
livre, lúcido e consciente;
desperto dos velhos vícios,
sepultador dos pessimismos
que ousaram habitar
esta frágil casca.
Posto que é chama — que seja eterna;
e que este fogo, em caserna aceso,
lave-me a alma,
e nutra, profundo,
o ventre da minha existência.