Nefertiti

Funda-me no abismo,

ergue-me no sopro,

concatena-me

no tecido oculto de tuas células.


Transpira em mim,

ri através de mim,

cavalga o corcel ígneo

e abandona-me ao pó.


Inicia-me

no teu universo velado.

Alimenta-me,

ó minha Nefertiti,

e faz de mim o Sol invicto.


Passos abissais na areia do Saara,

onde o tempo arde sem nome.


Queima-me,

consagra-me,

define-me,

profere-me,

no espelho dos mundos,

meu cativeiro em ti.