Mentiras Delirantes

 Lindas mentiras

finjo — e sei que acredito —

qual anjo exausto e celestial

curvado à aurora dos dias prescritos.


Lindas feridas.

Conta-me mais — insiste —

ó criatura moldada nas forjas de Hefesto,

não vês? Eu finjo. E persisto.


Lindos olhos negros,

afaga em mim o ego gasto,

dize que ainda valho algo —

mesmo que em ruínas me arrasto.


Minha via já é calçada,

meu percurso, irrevogável;

resta-me a condenação —

à espera de Caronte, implacável.


E como a sereia antiga

que embriaga navegantes,

finjo encanto — deliberado —

às tuas mentiras delirantes.