Cuyabá

Cuiabá,
me queimas em tuas brasas
de asfalto vítreo e fulminante;
me afogas em tuas águas,
nas chuvas não passageiras.

Me acolhes como filho teu,
me embalas com o rasqueado,
me enleias com o siriri, só seu.

Com as peixadas,
enobreces minha gula;
com tua alegria,
enalteceste em mim mil amores.

Em noites faceiras,
em manhãs fatigueiras,
revela-me tua ancestralidade
no sangue indígena que te funda
e no sangue preto que jamais recua!