Colibri

Este errante ser

rupestre glutão,

que pelos becos escoavas

nos fins de noite,

beberrão triste,

surpreendido foste

pela luz que do céu enviaste.


Sorte fortuita,

como um anjo —

não dos céus,

mas de carne e desejo —

tocaste minha alma

e, com teu sopro,

o ar da novidade

o pessimismo erradicou.


Errante ser,

que agora quer mais vida,

que agora quer curar feridas,

que agora quer cuidar de si,

para ter mais tempo

de viver com o colibri

a mais intensa história de amor.