Não te escrevo em febre de conquista ardente,
Mas para erguer, solene, um hino a Zeus altivo,
Que me concedeu — num sopro claro e clemente —
O raro dom de haurir o ar que te é nativo.
Cada instante a teu lado, exato e lapidado,
É cifra de infinito em forma delicada,
Um mármore invisível em meu peito cravado,
Onde a eternidade, austera, é revelada.
Ver-te — e no teu suspiro um tempo que ressoa —
Lembrança de outro afeto em bruma dissolvida;
E as mãos, lírios sutis, velando a graça boa
Do riso que se oculta à face comedida.
Assim, não peço, não reclamo, não destino:
Celebro, em verso exato, o fado que me guia —
Por conhecer-te, ouvir-te em timbre cristalino,
E ver-te, em silêncio, amar sem liturgia.