Jardim Estatuário

Perdido vou por lúcido jardim,

onde medusas velam, frias, mudas;

e ninfas, de alvas vozes quase mudas,

suplicam sombras que definham em mim.


Suspensa a alma — imóvel até o fim —

chama-me o dia, e as horas já não são;

rompe-se, então, da caverna a ilusão,

e surge a luz que arde dentro em mim.


Não fora tua a missão de me guiar;

mas, súbito, em meu ser se fez ruptura:

ardeu, voraz, desejo singular.


Querer-te — eis minha antiga e doce usura;

e ao ver-te, em vão, nos versos te fixar,

moldo o infinito em breve forma pura.