Estive ante ti, ó rei Assurbanípal,
nas hostes hostis de Samassumuquim;
de joelhos, curvo ao jugo inevitável,
das sombras que se erguem sobre mim.
Na balança de Maat, solene e infalível,
pese-se o meu pestilento ib, enfim;
se a culpa em mim persiste, inexorável,
que a dor se consuma inteira em mim.
Se me falta o ka — sopro vital —
e o ba, errante, ao sonho me conduz,
que reste ao fim o que não sofre igual.
Mas, quando tudo cede à própria cruz,
pergunto: onde permanece o imortal?
— no ver que assiste, e nunca se reduz.
