Vindes a mim?

Roço o rosto

no encosto que criaste em mim


Arroto a certeza

que trouxeste

ao vazar minhas células

com teu plasma, querubim!


Rebusco o dia,

reboco os buracos,

retoco as frestas,

ignoro tua apatia

em saber que nada fui — fim!


Reclamo em prantos

no sereno salgado

da carne apodrecida

que se encharca de ódio

por não ver, entre os meus,

os teus — sim!


Regurgito no instante

em que penso que teus lábios,

vacilantes e serenos,

tocam, no rompante,

a face de quem nunca

me tivesse dito:

vindes a mim?