Três Vezes Grande


Este texto é para você.
Esta música é para você.
Este capítulo, este álbum,
estes livros que ainda escrevo —
todos nascem do mesmo nome.

Se eu pudesse escrever três vezes grande,
ainda assim seria pouco
para alcançar o tanto que te quero.

Eu não consegui te dar a lua.
Não consegui te dar o sol.
Não consegui arrancar uma estrela do firmamento
nem suspender um planeta na palma da tua mão.
Não consegui dobrar o universo
como quem dobra uma carta
e entrega sem selo.

Três vezes grande —
e ainda assim insuficiente
para medir o que sinto.

Não consegui privar-te da dor.
Não consegui tomar para mim tuas mágoas.
Não consegui dissolver as sombras
que te atravessam o peito
quando a noite pesa.

E mesmo que eu te ofertasse o coração em bandeja,
gravado nas tábuas de esmeralda
de Hermes Trismegisto;
mesmo que entoasse antigos cânticos de passagem,
que subisse aos céus mais altos
entre querubins e constelações,
ainda assim —

Três vezes grande
não bastaria.

Porque o que te quero
não cabe em astros,
não cabe em livros,
não cabe em feitos.

Cabe apenas
na impossibilidade
de te alcançar.