Escondo-me de tuas sombras,
malditas e vultosas sombras,
que perseguem esta alma peregrina.
Escondo-me do som de tua voz
e de como ocultas teu riso
com tuas belas mãos,
num truque de quiromancia...
Esconder-te-ia, Rainha dos Mouros!
Fazes-me servo, sem saber,
fazes-me súdito, sem querer,
fazes-me clérigo, sem pedir.
Prostrado, de joelhos ao chão,
ergo altares à tua devoção.
E quanto mais tento fugir
pelas sombras galhofas,
mais tu apareces, sem saber...
Seja na luz do luar
que enoivece teus olhos,
seja no cheiro do mar que me aquece,
seja em teu olhar amendoado
que me persegue.
Neófito de uma musa que me arrebata,
Rainha dos Mouros,
Rainha dos meus sonhos,
Rainha da ternura
de turmalinas serenas.
Vigio minha mente, sem êxito,
sem repouso, sem pestículos,*
sem receio de ser, mais uma vez,
jogado à lama deste chão.