Como um náufrago, afasto-me do teu cais,
titubeando pela impossibilidade de ser.
Na salgada água que tinge minha nau,
as lágrimas de um amor natimorto
temperam o vento que me arranca de ti.
Vês-nos, doce Calipso,
a preciosidade que lançamos do tombadilho?
Vou-me embora para Pasárgada,
pois lá sou amigo do rei.
E tamanha humilhação não será descrita
nos dias vindouros desta pestilenta escrita.
Levo apenas como memória
o último beijo que depositei em tuas mãos.
Numa noite festeira
que se transmutou em despedida,
como foge da sanfona rota o cão.
E assim selo, já em alto-mar,
o fim desta epopeia saudosa,
onde, por nefasto desígnio, desejei
caminhar meus dias
na mesma trilha que a tua.