Não é não

Eu sou a pedra no seu caminho
Eu sou aquele que te tirou da rotina
Que lhe trouxe preocupação
E que lhe fez sorrir rapidamente

Paulatinamente, ocupei seus segundos
Serpenteei por entre seus assuntos
Ditei o tema das rodas de conversa
E te eternizei como um demiurgo

A cada nota emprestada a um novo cântico
Celebrei a sua existência
Por milésimos de segundo, ocupei sua mente
E desejei seu corpo

A cada suspiro do seu corpo gripado
Preenchi o vazio do seu quarto
Um desconhecido engraçado
Um doido, como você diz...

Entrincheirado, embebedei seu corpo
Com a mais pura celebração
Com a mais pura ternura
Com a mais pura paixão

Há alguém neste planeta,
Algum douto,
Algum doido,
Que lhe tenha contemplado como eu?

Se sim, escrevo em nanquim
Nesta folha de seda:

Seu brilho intenso como o sol
Alimentou-me nos últimos sete dias.