Muxarabi

Muxarabi, meu cobogó,

Por ti meu amor se vela;

Cobogó, meu muxarabi,

Por ti minha dor se sela.


Quando o sol, em prata ardente,

Cai sobre os lombos cansados

De forasteiros e de muares,

Refugio-me nas sombras quedas

Das treliças que levantei por amor.


Muxarabi, meu cobogó,

Por ti meu amor se vela;

Cobogó, meu muxarabi,

Por ti minha dor se sela.


Qual burca grave e severa,

Tua ausência me defende

A vista da tua formosura.


Esgueiro-me, qual serpente antiga,

Pelas sombras de corredores

Entretecidos e entrecheirados,

Para de longe te mirar,

Sem que saibas minha ventura adversa:

Ver-te, amar-te,

E nunca, nunca tocar-te.