Estamos nesta noite
preenchendo o nada,
incólumes, incrédulos,
a observar o caos.
Concatenamos razões
para emoldurar o real,
enquanto a alma, entorpecida,
se pergunta: quem somos, afinal?
Entre caosmose e inanição,
sigo meus passos em autocárcere,
ruminando ácidos nucleicos
em hélices de enigma e vertigem.
Tudo gira em azuis pastéis,
em melodias que, se ousassem,
poderiam ocupar os céus
— e ainda assim não nos salvar.
