Vivo sou!
A brasa em mim se acende,
e luto agora contra o tempo escorrido
por entre as mãos do régio glutão!
Vivo sou!
Das lágrimas acerbas
fez-se a fênix nas cinzas,
no áspero parto de olvidar-te.
Vivo sou!
Das chagas florais,
que da derme sovada rebentam,
em rijos cortes de fileiras de enganos.
Vivo sou!
Vede!
Contai a nova!
O douto louco,
o temerário,
o enfadonho,
o amante delirante!
Vivo sou!
Dai-me esse adeus,
esse adeus fingido,
esse aceno de cera,
agradecimento baço,
vão, inútil e inoperante.
Ferí minha face
com vossa piedade mentida!
Pois — vivo sou!
