Não há objeto do desejo;
há ausência do objeto do desejo.
Nesta onda de tudo-nada
é onde ergui o alicerce
de toda a minha poesia.
Cada palavra ou adjetivo
celebra tão somente
a ausência.
Ela é minha senhora,
e eu, seu obediente servo,
fantasiando emoções,
cenários, toques e aromas.
Marco minha narrativa
tão somente pela ausência:
se musa, pela sua negativa;
se vida, pela sua perecibilidade;
se sentimento, pela sua perversidade.
Essa é a minha clínica,
meu cuidado de si,
Meu caosmose.
E você não passa
de mais um marcador discursivo
de minha obra inacabada.