Inquiro-me:
por cargas d’água te conheci só agora,
neste ponto exato da minha jornada?
Lambendo feridas
que nunca cicatrizam,
vociferando
pragas e superstições
para justificar tamanha solidão.
Ou seria a solidão, afinal, solitude?
Pouco sei sobre ti.
Mas cá estamos:
você tentando recomeçar,
e eu te atormentando,
transbordando de bem-querer.
Se Zeus me reconhecesse
como filho teu,
saberia que, no tempo certo,
minha ânsia virará desdém,
e você — ainda que em silêncio —
considerará o quão tola foi
por enterrar em cova rasa
o mais puro dos quereres,
no jazigo sem número
da rua Alma de Gato.
