Soneto da Persistência

Werther não desistiu de Lotte,

sabendo o amor sem porto ou direção;

por que eu negaria a mesma sorte

de insistir no que arde em contramão?


Nem Menezes largou sua Hortência,

mesmo à beira da ruína e da razão;

Cyrano amou Roxane em permanência

sem jamais pedir rosto ou condição.


Florentino esperou, fiel e atento,

décadas por Fermina em solidão;

Bentinho amou na dúvida e no tormento.


Se tantos sustentaram a paixão

sem promessa, sem prêmio ou juramento,

por que eu faria da ausência desistência?