Não há portas.
Mas não há espaço.
Não há chances
de saber quem realmente sou.
Não há tempo suficiente,
nem paciência perene,
nem condições de entender
o que me move.
Ninguém, até a presente data,
embebedou-se do meu néctar.
Ninguém.
Ninguém.
Posso contar minha teoria,
minhas inquietações intelectuais,
meus dramas conceituais,
minha inspiração súbita.
Mas não a essência.
Ninguém a teve.
Nem quem acha que teve.
Nem quem ainda pretende.
Se o moribundo
descura do prazo,
relaxa o predicado,
é porque jaz.
A missão está cumprida.
E o Santo Graal
segue
inacessível.
