É, paixão
o tempo se foi,
e se não foi, irá;
e se não irá, agonizará
esperando um sinal teu.
É, paixão,
douto ignorante
das turvas madeixas,
de intenções dúbias
esperá-lo-ia…
É, paixão,
em si próprio,
no espelho dos outros,
nas noites mal dormidas
de cócoras chorei.
É, paixão,
deixaste este corpo,
deixaste este sereno,
deixaste, dentro do peito,
a semente que jaz em meu antro
pestilento e mal-intencionado,
mas germinará na noite de outono.
