O anacoreta regressa
à tumba primeva.
Claudica, após recluir-se
por luas minguantes.
O sarcófago repousa
sobre carnes laxas.
Que fruto advém
de tal errância ontílica?
Travessia incessante,
locuções oblíquas,
ânsia indomável
de ultrapassar-se,
ocupar castas vãs,
ser vértice de olhares?
E no fim do estio glacial,
imerso no abismo,
fitas teu reflexo
rompido, espectral:
defunto errabundo,
ânsia inútil, labor vão.
E quando ao astro ígneo
ergueste as pupilas
exaustas, vacilantes,
prostraste-te e roçaste
as mãos de Adeline.
