Calma… aprende a sorver
os anis anestésicos.
Licorosos, espumantes pensamentos,
ó Orfeu!
Nega-te.
Nega tua ilusória existência.
Fingirá, então,
a dialética demagógica
para além do Olimpo.
Pois remarás por remansos
e morrerás, em prantos, no Aqueronte;
ficarás pasmo ao tocar —
sem qualquer encanto —
a inédita reprise
deste canto.
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| Interpretação do século XIX da travessia de Caronte, por Alexander Litovchenko. |
