Constituintes

Corruptos!
Raptam a cor da bandeira —
dos quilombos, das sobrancelhas!

O verde esperança — que carranca! —
jaz nos olhos das míseras crianças;
papéis pastéis — mentiras leais!

Colarinhos brancos, empavesados,
de vis pedidos empanturrados;
bocas de ouro, ventres danados,
miseráveis, venais, deuses falsados.

Canarinhos gordos, bem cevados,
que, neste país, voam dourados
sobre o verde-esperança — já corrompido:
verde lavagem, vômito erguido,
fel que se bebe por decreto ungido!

Fuçam a lama — porcos coroados;
sorvem o sangue dos desgraçados;
moem na mó dos cofres fechados
ossos e nomes dos já sepultados.

E, ao povo faminto, pregam destino:
“paciência e fé” — veneno divino;
ungem a chaga, ocultam o dano,
e chamam virtude à carnificina humana.