Balada da Caixinha de Música

Somente com sorriso podes superar
teus problemas — sem promessas a trilhar.

Sem dizeres teus encantos,
conheceste a minha dor;
e que dorme, em algum lugar,
teu antigo admirador.

Aquela pessoa que tanto admirou
em nada mudou —
amarrada ao tempo,
no fim, nada de fato alterou.

Na dupla fenda,
em outro magnânimo olhar,
às vezes pode iludir,
revelar
ou enganar.

Várias facetas do mesmo objeto,
tateadas com o tempo
no âmago do arpoador;
no fundo chegaria
às profundas águas do mar.

Abaixe a cabeça
e soluce o que se viveu,
guardando por nenhum instante,
pensando, em vão,
o que se foi.

Brilhando — de olhar;
sorrindo — de beijar;
inocência nonsense,
sem nunca simular.

Contemplando o som
da caixinha de música,
a face molhada — disfarçada,
na bruta alma,
a tua dor.